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A solução para a crise (ou) o dirty little secret: quantos já desejaram secretamente experimentar croquetes Pedigree Pal?


Num ano de 2009 em que a palavra de ordem parece ser "CRISE", os gourmets portugueses parecem enfrentar cada vez maiores dificuldades para facultarem ao palato guloso uma vichyssoise, um coq au vin ou mesmo uma simples bruschetta (que pudemos, através da cozinha sábia do AJOG, confirmar como sendo de facto, coisa digna de se comer com a boca aberta). Claro que tudo isto se poderia substituir por um vulgo creme de natas, um arroz de frango em vinha de alho ou com um pão torrado com azeite, alho e tomate, mas os ouvidos também comem e há que chamar os bois pelos nomes (neste caso, o Nero e o Regueifa, que são os bois do agricultor local, que os mima como se de filhos seus se tratasse).

Fait divers (mergulhadores de fé, escrito por uma brasileira da turma do Q.) à parte, o que preocupa os portugueses é, de facto, a falta de comida. Mas...fear no more, oh yee of little faith, porque encontrei a solução. Não farei suspense. Passarei a explicar. Na linha abaixo.
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Ou na outra.
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Se calhar mais à frente.
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Já nem sei se terá interesse.
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Achas?
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Tá bem, eu digo: a solução, caro leitor, apresenta-se na forma de uma suculenta, aromática e bem saudável para os dentes comida de cão! Sim, comida de cão. Não me diga, caro leitor, que nunca se sentiu tentado a provar um daqueles croquetes para cão da Pedigree Pal ou uma latinha daquela carninha picada, que faz lembrar paté de atum? Decerto que sim. Pois bem, eu também, mas nunca o fiz. Porquê?
Porque não sou absolutamente parvo e primitivo (pelo menos, neste aspecto) e porque prefiro rojões. Mas isso não quer dizer nada, porque, caso a ideia pegasse, por esse mundo fora milhares de pessoas teriam ao seu alcance um saco de 10 kilos de ração a baixo preço e que, misturada com um queijo de cabra "Palhais" e uma colherzinha de geleia, daria uma sobremesa de estalo!

Assim, e em jeito de término, proponho uma breve homenagem a Christine Drummond (e eu que sempre desconfiei de pessoas com sobrenomes de brasileiro bossa-nova) e à sua Mighty Mix, beneméritos ilustres, cuja contribuição para a fome no Mundo continua a ser invejosamente subvalorizada, principalmente pela concorrente AMI, que pensa que, lá por trazer o arroz à parte, é melhor do que as outras. Portanto resta-me deixar aqui, pelo menos, uma breve referência a esta personalidade ímpar e à sua acção em prol da gastronomia...animal:

Empresa neo-zelandesa doa comida de cão para crianças do Quénia
"Uma das principais marcas de comida para cão da Nova Zelândia ofereceu 42 toneladas de alimento para animais para o Quénia, onde a fome está a vitimar milhões de crianças. A notícia foi avançada pelo jornal Nation, que dá conta também da recusa do governo de Nairobi em receber a doação.De acordo com um porta-voz do governo queniano, o director dos serviços de saúde do país, James Myikal, disse que «por nenhuma razão se pode permitir alimentar pessoas com comida para cães».A proprietária e fundadora da empresa Mighty Mix, Christine Drummond, conhecida na Nova Zelândia pelos biscoitos para cão que fabrica, já respondeu. De acordo com a responsável, o alimento em causa é muito nutriente, tem um sabor agradável, e a própria Drummond come os biscoitos todas as manhãs. A dona da Mighty Mix adiantou ainda que fez a doação através de uma organização de caridade queniana não como comida para cães para alimentar crianças, mas como «suplemento nutricional». A quantidade oferecida, afirma, poderia alimentar 160 crianças durante dois meses."
(in Diário Digital.sapo.pt)


N.B. A Dona Drummond come biscoitos de cão porque ainda não experimentou as torradas com manteiga das Marinhas da Pastelaria Rio Doce, em Esposende.

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Da "Retrette" ao "Crêpe Suzette". De napoleão (com minúscula) à maçã da terra.

Na senda dessa belíssima short storty com final abrupto postada pelo nosso quase-omnipresente Q. (cuja vida social, como se vê, é bastante agitada), o épico "Little French Woman", cabe-me o papel de repudiar a etiqueta de "eruditos" que nos tem sido vilmente colocada. Ainda por mais, tal como a Dalila deu cabo do pobre Sansão cortando-lhe o argumento capilar, a minha própria "partnaire" é responsável pelo desdém do epíteto colocado. As semelhanças com Dalila, convenhamos, não se ficam por aí: não só a sua beleza é conhecida nos quatro cantos do Mundo (a ver se ela me faz aquele "strogonoff" de trás da orelha) , como o seu projecto de vida consiste em ver se me arrasta para o Gusto Barbeiro para reformular o meu precioso penteado à Nel Monteiro.
De qualquer modo, sinto a invisível mão do ávido leitor sobre o meu cachaço urgindo-me a ir directo ao assunto. Assim, a terra que viu nascer, crescer e morrer o amor de Aldónio e Amélie (mais o da segunda, esvaída em ingrediente próprio de arroz de sarrabulho) será o tema deste meu humilde post.
Partindo do princípio de que Monsieur Sarkozy está ocupado saboreando a sua mais recente invenção, "La lasagne franco-italienne", e de que não me vai fazer parar demamdando a salvação de Ingrid Bettancourt, de que Zidane já gastou a sua habilidade no jogo de cabeça com Marco Materazzi e de Napoleão está demasiado morto para me guardar o destino que deu a grande parte do mundo, casquemos alegremente nos habitantes dessa outrora gloriosa Gália.
Deve haver haver algo de errado com um povo que faz da sua reforma uma retrete. É verdade que, na nossa modesta pátria lusa, se vêem hordas de cidadãos séniores gastando os dias nos parques públicos, mas caramba, sempre há o dominó, a "sueca" e o amigo fiel, o canjeirão de vinho tinto para animar. Agora, mesmo na terra do genro de Mário Machado, Monsieur Le Pen, tratar a reforma e aqueles a quem ela se destina pela designação excremental que o título deste texto realça...bem, parece-me demais.
O sentimento geral dos membros do PDQC, consultados sobre esta questão à volta de umas "costeletas à salsicheiro", é que Napoleão metia a célebre mão no casaco, não para ver se não tinha pedido o bilhete de identidade, mas para afagar os mamilos, uma forma de "self-indulgence" comum em habitantes da pátria dos "hors d'ouevres". Aliás, aqui que se atinge o cerne da questão: como é que um povo que se orgulha de comer atentados gastronómicos como o "foie gras" (vide http://littlebirdtoldme.wordpress.com/2008/04/13/foie-gras-nunca/) consegue penetrar de forma tão preemente na nossa "art de la table"?!
O facto, é que, da "nouvelle cuisine", que consiste normalmente num orgulhoso poio de esparregado encostado a uma tosta minúscula com uma gamba e uma folha de salsa em "posição missionário", ao "champagne" que, apesar da persistente alternativa lusa "Fita Azul", insiste em marcar as efemérides maritais e futebolísticas da nossa nação, o raio dos "avecs" conseguiram atingir-nos. É inegável.
Enquanto o humilde escriba sonha com um "Crème brûlée" (que apenas acrescenta um articulação de lábio-dentais, palatais e oclusivas - bendito Raúl de Almeida, que a Linguística esteja contigo - ao comum leite creme), algures num recôndito canto de Celorico de Basto um "garçon" de bigode farfalhudo e bochecha rosada apaga da ementa o onomásticamente simplista "Panados com queijo e fiambre" para o substituir por um elaborado "cordon BLUE". A intenção é boa, mas o facto é que o a cultura não abundava no referido local. E este, caro leitor, era nem mais nem menos do que...a Tasca de Ti Chico Larilas. Nem mais. O velho ancião, agora perdido numa alegre borracheira alzheimmeriana, em que canta a plenos pulmões uma estória ouvida no seu estabelecimento: "Eu ouvi uma passarinha, às quatro da madrugada, chama-se Amélieeee, e era meia afrancesadaaaa", decerto não o permitiria, mas a sua vontade já não prevalece. Mas quem decide os destinos da tasca?!
Permitamo-nos, pois, divagar para um pequeníssima "narrativa encaixada":O afanado Dotílio Larilas havia sido enviado de mui tenra idade (era ainda um querubim) para La Corse Touristique, de forma a lavar a alma e a fama de Ti Chico e Dona Dotília, viúva respeitável que por vezes se cansava de partilhar a cama apenas com seu filho Aldónio. Viajou com Ti Dores Sá Lopes, irmã de Ti Chico, que, imbuída do intrépido espírito emprendedor da sua família, fundou uma "maison de récréation" destinada a trabalhadores dos "battiments", que saudosos de suas esposas, empregavam o seu "COCK AU VIN", digo, com o vosso perdão, o seu "coq au vin" junto de colegas de Amélie Sá Lopes.
Rodeado da mais distinta sociedade gaulesa e absorvendo com avidez a competência hoteleira de Ti Dores, Dotílio Larilas viria a apaixonar-se por "Mariette Al-Saimedaqui", uma jovem trabalhora da vida (não o somos todos?), descendente de um vendedor de tapetes argelino que caíra em desgraça vendendo um futebolista apelidado de Bynia a um clube que vestia de rosa fuschia e tinha um treinador que ostentava uma vassoura no lábio superior. Mas como "a small fish in a small pond stays small its whole life" e Dotílio II sabia que o dito peixe "when moved into a big pond may quadruple its size", alimentara um sonho toda a sua vida: desposar Mariette e trazer a gastronomia francesa, indiscutivelmente mais sofisticada do que as "pappes au sarrabulle" de que tanto falava Ti Dores, para a remota aldeia de Celorico de Basto que o vira nascer, sem honra nem glória, qual leitão destinado à Bairrada. Fugida Ti Dores com o dono de uma patisserie, Dotílio II viu a ocasião e não desperdiçou. O resto, como dizem, é história.
Chantageando o idoso Ti Chico com ameças de divulgação da paternidade com base em testes de PDA, Dotílio tomara conta da Tasca e ameaçava fazer dela a Alliance Française de Celorico. Primeiro fora o "cordon bleu", depois o "fillet mignon" e mais recentemente, ousara afrontar a população com um "fondue bourguignonne ", acompanhado de "quiche lorraine" e decorado com "esgargots". Era demais. Padre Fontes, personagem de outras estórias, estas de ficção, viera de Vilar de Perdizes a pedido de Vi Riato, jovem presidente da junta e guarda-redes do clube da terra, para acabar com a maleita gaulesa que assaltara as gentes do recôndito lugarejo.
Aqui chega a hora de seguir a tradição do PDQC: "cortar a direito" quando a coisa se torna desproporcional. Padre Fontes sabia do que precisava: conhecia um misterioso druída, cujo número de telemóvel lhe tinha sido dado pelo amigo Alexandrino, hipnotizador de profissão, que vivia algures na mesma Gália que afrontava a lusitana localidade:
Dizia-se dele que era membro de uma comunidade de irredutíveis gauleses, cuja resistência aos Romanos, principalmente aos do Vaticano (comandados por um tal de Ratzinger, com o número de Jardel bordado no seu estandarte de guerra), era lendária. Rezava a lenda que misturando vários ingredientes adquiridos na distante floresta de Leclerc, preparara uma poção que tornara Gérard Depardieu o mais forte dos actores franceses. A poção não era, porém, isenta de perigos, dado que ao próprio Gerinho, como era tratado por Sarkozy, lhe tinha crescido o nariz e a pança e ficara com um permanente sotaque franco-saxão que irritava qualquer um que o visse vestido de Mosqueteiro.
Concluímos: Vi Riato, habituado ao mata-bicho e ao champarrião, concluiu que mais uma mistela não lhe faria mal ao fígado e citou o eterno detective Pepe Carvalho, criado por nosso mui querido Manuel Vásquez Montalbán, dizendo: "Que se foda. O fígado é meu e há-de fazer o que eu quiser."
O final da estória, caro leitor, deixamos às divagações da sua mente alimentada com "la mousse" verdadeiramente caseira e feita com um lusitaníssimo Pantagruel...digamos apenas, que, através da bruma recheada de "petit gateaus"e "crème camembert", num lugarejo distante do interior português, um moço de recados com um esboço de buço e com marcas de sovaco na (relativamente) alva camisa, apaga o "cordon blue" da ementa e escreve, na sua melhor caligrafia, "fígado de cebolada".
P.S. Quaisquer acusações de violação de direitos de autor relativamente a personagens, lugares e receitas culinárias, darão azo à revolta da facção xiita do PDQC, por cujos actos este escriba não se responsabiliza.

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